4º Domingo da Páscoa
[21 de abril de
2013]
Escutar e seguir Jesus
[Jo
10,27-30]
O contexto do evangelho de hoje é o de Jesus passeando dentro do
Templo, por ocasião da festa da Dedicação, quando um grupo de judeus se
aproxima, ameaçando-o. Jesus lhes recrimina a falta de fé: “Vós não credes
porque não sois das minhas ovelhas” [Jo 10,26]. Ouvindo estas palavras os
judeus queriam apedrejá-lo [Jo 10,31].
E
Jesus lhes diz que, para ser ovelhas do seu rebanho precisam escutar a sua voz:
“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me
seguem”. Aqui está o que é essencial na fé cristã: ouvir a voz de Jesus e
segui-lo. Não é cristão quem se recusa a escutar a Jesus e não se dispõe a
segui-lo.
A
primeira coisa que precisamos trabalhar em nós é a capacidade de escutar. Em
meio a tantas vozes que ressoam aos nossos ouvidos, precisamos desenvolver a
capacidade de distinguir a voz do Bom Pastor. Sua voz não se mistura com os
gritos do consumismo, da teologia da prosperidade, do desespero, das ameaças,
dos moralismos, do preconceito. Sua voz se confunde com sua própria vida. Ele dá
a vida por suas ovelhas. Quem não tem coragem de dar a vida, de se colocar a
serviço não pode ser ouvido nem seguido. É a voz do lobo que quer devorar: pensa
somente em si mesmo.
A
palavra viva, concreta e inconfundível de Jesus deve ocupar o centro de nossa
vida, de nossas famílias e de nossas comunidades. Por isso precisaríamos adotar
o piedoso costume de, todas as manhãs, rezar um trechinho da Sagrada Escritura.
Assim vamos nos tornando aquele discípulo que sabe ouvir e sabe dizer uma
palavra de conforto ao que sofre: “O Senhor Deus me deu língua de discípulo
para que eu saiba acudir o enfraquecido, ele faz surgir uma palavra. Manhã após
manhã ele me desperta o ouvido, para que eu escute como os discípulos. O Senhor
Deus abriu-me o ouvido. E eu não me revoltei, não me virei para trás” [Is
50,4-5].
Juntamente
com a escuta da voz do Pastor vem a segunda parte determinante no discipulado:
seguimento. Prega-se por aí uma religião aburguesada. Como se o culto fosse um
lugar de tranquilizar as consciências, de busca de ‘conforto’ espiritual, de uma
espécie de ‘negócio’ com Deus. Ao ouvir a Palavra, precisamos nos posicionar. A
fé cristã tem tudo a ver com um modo de se viver. A oração [escuta de Deus] nos
coloca na dinâmica da realização da vontade do Pai. É o seguimento de Jesus:
crer no que ele creu, dar importância ao que ele deu, defender a causa que ele
defendeu, aproximar-se dos pequenos e indefesos como ele se aproximou, confiar
no Pai como ele confiou, enfrentar a cruz com a esperança que ele
enfrentou.
Escutar
a voz do Bom Pastor pode ser até fácil. Mas segui-lo demanda tomada de decisão,
atitude cotidiana de conversão. Pe. Antônio Pagola diz: “É fácil instalar-nos na
prática religiosa, sem deixar-nos questionar pelo chamado que Jesus nos faz no
evangelho deste domingo. Jesus está dentro da religião, mas não nos arrasta para
seguirmos seus passos. Sem dar-nos conta nos acostumamos a viver de maneira
rotineira e repetitiva. Falta-nos a criatividade, a renovação e a alegria de
quem vive esforçando-se por seguir a Jesus” [musicaliturgica.com].
Pe. Aureliano de Moura Lima,
SDN
MANHUMIRIM,
MG
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