domingo, 13 de outubro de 2013

Missão na África.

Vila Cavungo: uma missão do outro lado

7 de outubro de 2013
No dia 19 de maio, Pe. Mayrink e eu, atravessamos o Atlântico rumo à África, berço da humanidade, em visita à Vila Cavungo, em Angola, onde se encontram os missionários Sacramentinos Pe. Renato e Pe. João Lúcio. Desde quando estive à frente da Congregação, na coordenação geral, a missão “Ad Gentes” era acalentada, sinalizando o nosso futuro. E agora, fui ver de perto, sentir aquela terra, experimentar o diferente e tão diferente daquele povo de história tão sofrida. Tínhamos a consciência, naquela época, e não é diferente hoje, que a missão ajuda a aprofundar a espiritualidade missionária de uma Congregação, impulsiona o ardor. E missão é adesão à pessoa de Jesus, ao seu projeto, ao Reino; significa fazer caminho com Ele, colocar-se onde sempre se colocou, na margem, na periferia… Isso acarreta, diminuir a bagagem, despojar-nos de muitas coisas, assumir a cruz até às últimas consequências.
Depois de uma longa viagem até Luanda, fomos recebidos pelas Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora, Ir. Eva e Ir. Valéria, juntamente com as Irmãs Aurora e Joelma, da Congregação das Irmãs de Jesus na Eucaristia. Do Aeroporto até à casa das Irmãs fui provocado por aquela realidade até acertar o caminho. Que realidade chocante, achei: jeito do povo, organização da cidade, modo de vida do povo. Fiquei surpreso e assustado com aquele mundo de Luanda.
Dentro de mim ficou claro, que missão supõe desmanchar paradigmas, e viver o processo da encarnação. Que sensação estranha aconteceu em mim, ao me aproximar daquele povo, outros costumes, outro tradição milenar e sofrida. Hum, um branco e muito branco, no meio de gente muito preta. Lembrei um texto que carrego comigo: é preciso tirar os calçados, porque o lugar é outro, e é sagrado. É verdade, Deus estava lá, antes de mim, ou de nós chegarmos.
De Luanda, no dia seguinte, bem de madrugada, com fuso horário diferente, voamos para Lwena, onde fomos recebidos pelos Padres Renato e João Lúcio. E como os dois estavam com os olhos alegres e felizes com a nossa chegada. Foi uma festa. Que sensação bonita experimentei, visitar nossos irmãos de vida missionária, no outro lado. Eu os percebi muito alegres. Fomos ao Bispado, cumprimentamos Dom Jesus Tirso Blanco, SDB, que nos recebeu muito bem. E, no final daquela manhã, pegamos o longo caminho de Vila Cavungo. Achei que não chegava nunca, mas era o cansaço. Já de noite, cansaço e sono se misturaram, pernoitamos com os Padres Portugueses, SJC, em Luau. Como dormi. No dia seguinte entramos no trecho e que trecho. Ao entardecer chegamos, afinal, na Vila Cavungo.
Em Cavungo, fui sentindo bem na pele a vida ali, tomada de muita simplicidade, encarnação mesmo, vida pobre, com poucos pertences, casa emprestada, sem luz, sem água encanada. Hum! Voltei a tomar banho de caneca, como nos meus tempos de criança, em minha casa. Foram dias de muita experiência religiosa. Percebi que a Vida Religiosa em Cavungo, no extremo Leste de Angola, bem na divisa de Zâmbia e Congo, esbarra no essencial. É um convite ao essencial. Agradeço a Deus esses dias! Tivemos oportunidade de participar de algumas celebrações: missas muito festivas e longas, cantos acompanhados de danças próprias. Missas com idiomas diferentes: português, Luvale e Lunda (e às vezes outros), mas o amor de Deus perpassava cada um de nós. E como nos entendíamos. É o Espírito de Deus mesmo acontecendo.
Vivemos dias intensos de diálogo, orações, reflexões e fui sendo tocado profundamente com aquela missão. E a simplicidade, disponibilidade e ardor dos dois, me impressionaram. Além de muitas reflexões, visitamos duas vezes os Padres e Irmãs de Vila Cazombo, há 60km. É como a casa de apoio dos nossos missionários. E agora, com a presença dos brasileiros, da QUEIROZ GALVÃO, que instalaram o seu Estaleiro, bem na área da Paróquia em Cazombo, a amizade deles com os Padres ficou notável. É mais um ponto de apoio, de acolhida e entretenimento.
Voltei da África com apelos concretos de conversão e muita disponibilidade para a missão. Foi um tempo para tomar minha vida nas mãos e repensar o que Deus quer de mim. E pensar seriamente nossa vida missionária em Congregação, aprofundando nossa missão onde estamos. O que Deus quer de nós?
Agradeço de coração a acolhida simples que os missionários da África nos proporcionaram. Muito obrigado, Pe. Renato e Pe. João Lúcio. Minha gratidão sincera ao Pe. Mayrink que me formulou o convite.
Pe. José Estevam de Paiva, SDN

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