25º Domingo do Tempo Comum
[22 de setembro
de 2013]
“Não podeis servir a Deus e ao
dinheiro”
[Lc
16,1-13]
No evangelho do último domingo [Lc 15,11-32], vimos como aqueles dois
filhos tinham perspectivas diferentes na administração dos bens. O filho mais
novo pegou sua herança, antes de o pai morrer, e ‘queimou’ tudo. O filho mais
velho não teve coragem de pedir um ‘cabrito’ para comer com seus amigos. Só
trabalhava. O pai da parábola mostra que o ser humano está acima de qualquer
valor monetário. O que importa mesmo é construir relações de perdão, de
partilha, de fraternidade para que a vida possa brotar com mais
exuberância.
No
evangelho de hoje, Jesus conta a parábola do administrador infiel. É preciso
notar que ele estava ‘dissipando os bens’ do patrão. Por isso ele foi demitido.
Aquele fato de baixar a conta dos devedores está ligado ao costume daquele tempo
de se permitir aos administradores emprestarem os bens do patrão e ganhar uma
comissão com isso. Esse administrador do evangelho estava abrindo mão desse
benefício com vistas a ser recebido nas casas daqueles beneficiados. Por isso
foi elogiado pelo patrão.
O
que interessa no texto de hoje é a má administração dos bens. Aquele
administrador estava botando a perder os bens que o patrão possuía.
Tudo
o que temos e somos são dons de Deus que devem ser administrados de acordo com o
projeto do Pai. E a primeira tarefa é nos considerarmos administradores. As
coisas não são nossas. Os filhos não são nossos. Os dons não são nossos. Tudo é
do Pai. A consagração batismal nos remete a essa realidade: tudo que somos e
temos foi consagrado ao Pai.
Tendemos
a viver em função do ter e do poder. Pensamos valer pelo que temos. Alguns de
nós buscam acumular cada vez mais dinheiro, vivendo uma vida miserável, às
vezes. Outros gastam demais. Gastam o que não têm. Vivem endividados porque
sentem necessidade de comprar e de exibir uma realidade que não são.
Em
relação aos bens públicos então, é uma lástima! Há pessoas que não sentem nenhum
peso na consciência em esbanjar as coisas públicas: combustível, veículos,
energia, água, telefone etc. Desperdiçam, deitam e rolam em cima do erário
público sem nenhum constrangimento. É um absurdo perceber gastos e despesas
desnecessários nos órgãos públicos! O evangelho de hoje vem nos ajudar a pensar
de modo mais solidário a administração dos bens. Eles devem ser colocados a
serviço de todos. Eles são para todos. Inclusive para aqueles que virão depois
de nós.
Ao
invés de abraçarmos a lógica da ‘desonestidade’, da mentira, da hipocrisia,
deveríamos hoje nos perguntar: como estamos administrando os recursos que Deus
nos deu? Como lidamos com os bens públicos que não são ‘nossos’? Quem ocupa
mesmo o centro de minha vida, que orienta minha história e decisões: o Deus de
Jesus ou dinheiro iníquo?
Cuidado com o
dinheiro!
Alguém
me abordou, nestes dias, pedindo uma explicação para a seguinte passagem do
evangelho: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles
vos receberão nas moradas eternas” [Lc 16,9]. É, de fato, um texto que impõe uma
reflexão maior.
No
tempo de Jesus, os pobres que moravam nas cidades usavam moedas para compra e
venda, mas de estanho e de cobre. Com Herodes, começaram a circular moedas de
ouro e prata. Portanto, tinham um valor maior. Davam mais segurança. Daí que,
para entender o que o texto quer dizer, é preciso ir à raiz da palavra que foi
traduzida como “dinheiro”. O termo usado no tempo de Jesus era mammona.
Vem da raiz aman que significa, em aramaico, confiar, apoiar-se. Era
algo em que o indivíduo colocava sua confiança.
Enfim,
o que Jesus quis dizer com “dinheiro injusto”? Parece que Jesus não conheceu
“dinheiro limpo”. Podemos concluir que Jesus considerava sempre o dinheiro como
algo injusto. As relações comerciais de seu tempo eram profundamente injustas,
sobretudo a partir do Império Romano. Então o “dinheiro” se tornara um ídolo,
ocupando o lugar de Deus. Quanto mais moedas de ouro e prata tanto mais rico e
autossuficiente. Jesus então oferece uma saída: “fazer amigos com o dinheiro
injusto”. Ou seja, empenhar-se sempre na partilha, no não acúmulo para não cair
na idolatria. Se o dinheiro era “sujo” recomenda “lavá-lo” na distribuição e
cuidado com os pobres. O dinheiro é fonte de lutas e divisão. É preciso, pois,
trabalhar para que favoreça a amizade e a comunhão, a igualdade e a
fraternidade.
Vale
deixar aqui a palavra de São Basílio, a respeito do uso do acúmulo e riqueza:
“Não és acaso um ladrão, tu que te apossas das riquezas cuja gestão
recebeste?... Ao faminto pertence o pão que conservas; ao homem nu, o manto que
manténs guardado; ao descalço, os sapatos que estão se estragando em tua casa;
ao necessitado, o dinheiro que escondeste. Cometes assim tantas injustiças
quantos são aqueles a quem poderias dar”.
E
o que dizer da “teologia da prosperidade” que assola nosso povo religioso? Uma
verdadeira afronta ao evangelho! Um pecado que “brada aos céus e pede a Deus
vingança”!
Pe. Aureliano de Moura Lima,
SDN
MANHUMIRIM,
MG
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