9º Domingo do Tempo Comum [02 de
junho de 2013]
Jesus veio para todos
[Lc
7,1-10]
Este
oficial romano, comandante de um pelotão de cem soldados (centurião), havia dado
mostras de que não era como tantos outros comandantes que embrenhavam pelo
caminho do mal. O evangelho fala que ele tinha um empregado doente a quem ele
amava muito. Aqui vamos percebendo seu sentimento de compaixão. Não se tratava
de um filho, por quem é natural um desvelo redobrado. Mas o fato de um
comandante se preocupar com um empregado a ponto de procurar Jesus para curá-lo,
ajuda a concluir que o coração desse homem parecia ser mesmo
generoso.
Também
os próprios judeus enviados pelo centurião dão mostras de que ele era um homem
bom: “O oficial merece que lhe faças este favor, porque ele estima o nosso povo.
Ele até nos construiu uma sinagoga”. Embora a Palestina estivesse sob o domínio
romano, parece que este homem não se enquadrava no esquema daquela dominação
insana. Tudo isso vai indicando um caminho trilhado em direção ao bem, à
abertura à salvação.
O
ponto culminante que mostra a humildade e a fé daquele homem foi sua atitude
diante de Jesus: “Mandou alguns amigos lhe dizerem: ‘Senhor não te incomodes,
pois não sou digno de que entres em minha casa... mas ordena com a tua palavra,
e o meu empregado ficará curado’”. Esta atitude mereceu o grande elogio de
Jesus: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”.
A
grande mensagem deste evangelho para nós hoje é a de reconhecermos que Deus tem
várias formas de salvar as pessoas. Os caminhos são muitos. A salvação não está
numa única instituição religiosa, como se fosse possível possuir o monopólio da
salvação. Jesus é o único caminho que conduz ao Pai. Porém, as formas de
encontrar esse caminho podem ser diversificadas.
Não
podemos nos esquecer dos gestos de bondade do oficial do evangelho que o
predispunham para abraçar a fé. Se a pessoa permanece com o coração fechado à
prática do bem, fica muito mais difícil realizar um encontro salvífico com o
Senhor.
É
bom atinarmos para duas situações cruciais que atingem, em cheio, nossa
sociedade: Por um lado existem aqueles que pensam que fora do catolicismo não há
salvação. Por outro, há aqueles pensam que a salvação está na combinação de
várias crenças [sincretismo]. Nenhuma dessas atitudes está dentro do
universalismo da salvação. Deus salva aqueles que se abrem à sua proposta de
salvação mediante um coração sincero e autêntico na situação e caminho em que
cada um se encontra. Porém, cremos que Deus se manifestou na pessoa de Jesus
Cristo para ser conhecido de maneira única. Quem tem a felicidade de conhecer
Jesus Cristo tem a missão de ajudar os outros a fazer esse caminho de encontro
com Ele.
Precisamos
pensar e rezar um pouco mais nossa vida cristã. Por vezes ficamos acomodados em
uma “vidinha de igreja”, julgando-nos salvos, sem preocupação com as
necessidades dos outros, sem assumir na vida atitudes de bondade e de
honestidade, como daquele oficial. Vivendo assim corremos o risco de ouvirmos de
Jesus aquelas terríveis palavras: “Não vos conheço”. E diremos nós: “Mas,
Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Em teu nome que expulsamos os
demônios? Em teu nome que fizemos numerosos milagres?” E ele nos dirá:
“Afastai-vos de mim, vós que cometeis a iniquidade” [cf. Mt 7,22-23]. Estejamos,
então, atentos à admoestação do Mestre de Nazaré: “Nem todo aquele que me diz
‘Senhor, Senhor!’ entrará no Reino dos céus. Mas o que faz a vontade do Pai que
está no céu” [Mt 7,21].
Aquelas
palavras que revelam a humildade e fé do Centurião, continuam sendo proferidas
pela comunidade cristã antes de participar do Banquete Eucarístico: “Senhor, eu
não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei
salvo”. Ninguém é digno de comungar. Ninguém está preparado para comungar.
Participamos da comunhão pela misericórdia de Deus. É Ele que nos salva. É Ele
que nos purifica. É a bondade dEle que nos dá condição de entrar em comunhão com
Ele pelo Pão consagrado. Tudo é graça! Tudo é misericórdia! A nós compete o
empenho de fidelidade, de coerência, de comprometimento cotidiano com o Senhor
que se entrega por nós.
Pe. Aureliano de Moura Lima,
SDN
MANHUMIRIM,
MG
Nenhum comentário:
Postar um comentário